Antes de realizar qualquer procedimento cirúrgico, é fundamental fazer uma revisão criteriosa de todos os medicamentos, vitaminas e suplementos que o paciente está utilizando. Esse cuidado faz parte das medidas de segurança cirúrgica, com o objetivo de minimizar riscos durante a cirurgia e no pós-operatório.
Enquanto alguns medicamentos de uso contínuo – como os destinados ao controle de doenças crônicas – podem ser mantidos com ajustes específicos, muitos suplementos naturais, vitaminas e fitoterápicos precisam ser temporariamente suspensos. Isso acontece porque várias dessas substâncias podem interferir diretamente na coagulação do sangue, no funcionamento de plaquetas, na pressão arterial, na glicemia e até na resposta à anestesia.
Por mais que sejam produtos considerados naturais ou vendidos sem prescrição, os suplementos têm compostos ativos que podem trazer riscos em ambiente cirúrgico.
Abaixo, listamos os 10 suplementos mais comumente suspensos antes de uma cirurgia, explicando como cada um pode impactar a segurança do procedimento.
ÍNDICE
Quem é a Dra Rafaela Marques?
Dra Rafaela R. Marques é cirurgiã plástica, médica especialista em tratamentos cirúrgicos da face e procedimentos minimamente invasivos e tecnologias para face e corpo. Atende atualmente em clínica na cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo.
Dra Rafaela R. Marques é Membro Especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, SBCP. Formada pelo Hospital das Clínica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP, instituição com renome nacional e internacional.

Dra Rafaela R. Marques
Cirurgiã Plástica Especialista em Procedimentos Cirúrgicos e Minimamente Invasivos da Face
CRM/SP 176527 | RQE 104011
- Membro Especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica SBCP
- Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto HCRP USP
- Especialista Inscrita no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo CREMESP
- Médica pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP
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Depoimentos de pacientes






1. Ômega 3 (Óleo de Peixe)
O Ômega 3 é um dos suplementos mais populares, conhecido por seus benefícios cardiovasculares e ação anti-inflamatória. No entanto, seu efeito antiplaquetário pode dificultar a coagulação sanguínea, aumentando o risco de sangramento tanto durante quanto após a cirurgia.
Estudos apontam que o consumo regular de Ômega 3 em doses elevadas pode prolongar o tempo de sangramento e potencializar a formação de hematomas. Por esse motivo, a recomendação padrão é suspender o suplemento pelo menos 10 a 14 dias antes da cirurgia.

2. Vitamina E
A Vitamina E, principalmente em doses elevadas, tem ação anticoagulante reconhecida na literatura médica. Ela pode inibir a agregação plaquetária, aumentando a probabilidade de sangramentos prolongados no intra e pós-operatório.
Além disso, seu potencial antioxidante pode interferir em algumas etapas do processo inflamatório inicial, que é essencial para a cicatrização adequada dos tecidos. Por isso, o cirurgião geralmente orienta a suspensão da vitamina E de 10 a 14 dias antes da cirurgia. Vale lembrar que muitos polivitamínicos contêm vitamina E, o que torna importante revisar rótulos de todos os suplementos em uso.

3. Ginkgo Biloba
O Ginkgo Biloba é um fitoterápico muito utilizado para melhorar a memória e a circulação cerebral. Seu problema em contexto cirúrgico está justamente na sua potente ação antiagregante plaquetária.
Há relatos na literatura médica de casos de sangramentos prolongados e até hemorragias intracranianas associadas ao uso de Ginkgo Biloba em pacientes submetidos a cirurgias. Por esse motivo, recomenda-se interromper o uso pelo menos 14 dias antes da cirurgia.

4. Ginseng
O Ginseng é outro fitoterápico bastante consumido para aumento de energia, disposição física e melhora da imunidade. No entanto, o Ginseng pode tanto reduzir a coagulação como também causar flutuações na pressão arterial e na glicemia – fatores que podem complicar a estabilidade hemodinâmica do paciente durante a cirurgia.
Além disso, há relatos de interação do Ginseng com anestésicos, podendo afetar a profundidade anestésica. A suspensão é geralmente indicada de 7 a 10 dias antes do procedimento.

5. Chá Verde (em cápsulas ou extratos concentrados)
Embora o chá verde na forma de infusão seja considerado seguro em quantidades moderadas, o problema está no uso de cápsulas ou extratos concentrados.
O chá verde contém catequinas que podem afetar enzimas hepáticas responsáveis pela metabolização de medicamentos anestésicos. Além disso, sua cafeína pode elevar a pressão arterial e a frequência cardíaca, aumentando os riscos durante o procedimento.
Outro ponto relevante: o chá verde pode ter discreto efeito antiplaquetário, contribuindo para o aumento de sangramentos. Por precaução, o ideal é suspender os extratos concentrados pelo menos 10 dias antes da cirurgia.

6. Arnica (uso oral)
A arnica é um exemplo clássico de substância que, embora seja popular no pós-operatório na forma tópica, deve ser evitada por via oral antes da cirurgia.
A versão oral da arnica pode aumentar o risco de sangramentos, além de ter sido relacionada a reações adversas cardiovasculares e respiratórias em ambiente anestésico. Por isso, seu uso oral deve ser interrompido com pelo menos 7 dias de antecedência.

7. Cúrcuma (Açafrão-da-terra)
A cúrcuma, também chamada de açafrão-da-terra, é muito utilizada por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. No entanto, estudos apontam que a cúrcuma pode ter ação antiplaquetária, dificultando a coagulação do sangue.
Além disso, a cúrcuma pode interferir no metabolismo hepático de diversos medicamentos utilizados durante a anestesia. Pacientes que fazem uso diário de suplementos de cúrcuma (em cápsulas ou extratos concentrados) devem interromper o consumo ao menos 10 dias antes da cirurgia.

8. Vitamina C (em doses elevadas)
A vitamina C, quando usada dentro da recomendação diária, é benéfica para a saúde geral e para a cicatrização. No entanto, quando consumida em doses muito altas (acima de 1.000 mg ao dia), pode ter efeito paradoxal, alterando a coagulação sanguínea e aumentando o risco de sangramentos.
Além disso, altas doses de vitamina C podem potencializar o estresse oxidativo em alguns tipos de anestesia. A recomendação, nesses casos, é suspender as doses elevadas pelo menos 7 dias antes do procedimento.

9. Suplementos de Alho (Allium sativum)
O alho na alimentação diária é seguro, mas os suplementos de alho em cápsulas ou extratos concentrados contêm doses muito superiores e têm efeito comprovado sobre a agregação plaquetária.
Estudos mostram que o consumo de alho em forma de suplemento pode aumentar o risco de sangramento durante procedimentos cirúrgicos, principalmente quando associado a outros agentes anticoagulantes. A orientação habitual é suspender o uso de suplementos de alho de 7 a 10 dias antes da cirurgia.

10. Coenzima Q10
A Coenzima Q10 é um antioxidante usado para melhorar a energia celular e a saúde cardiovascular. Embora traga benefícios em situações gerais, seu uso pré-operatório pode ser problemático.
Há evidências de que a CoQ10 pode interferir na ação de anestésicos inalatórios e intravenosos, além de ter efeitos vasodilatadores que podem dificultar o controle da pressão arterial durante a anestesia.
Por precaução, a suspensão é indicada ao menos 7 dias antes da cirurgia.

Por que é importante informar seu cirurgião sobre o uso de suplementos?
Muitos pacientes não mencionam o uso de suplementos ao cirurgião ou ao anestesista por acreditarem que, por serem naturais, não oferecem riscos. No entanto, como visto, diversos suplementos possuem efeitos significativos sobre a coagulação, pressão arterial, glicemia e metabolismo de medicamentos.
O ideal é sempre listar todos os produtos em uso – incluindo vitaminas, fitoterápicos, chás medicinais, homeopáticos e suplementos alimentares – para que o cirurgião possa avaliar individualmente cada caso.
A segurança da cirurgia começa na consulta pré-operatória, com um diálogo transparente entre paciente e equipe médica. Esse cuidado é essencial para garantir um procedimento seguro, com menor risco de complicações e melhor recuperação.
A avaliação é importante no sentido de compreender as queixas de cada paciente e delimitar um plano de tratamento específico, voltado a atender estas necessidades.

Quer saber mais sobre os procedimentos realizados pela Dra Rafaela R. Marques? Acesse os posts abaixo para saber maiores detalhes sobre os procedimentos.

